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Santa Matilde SM 4.1: o esportivo dos anos 70/80 com motor de Opala

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O Santa Matilde SM 4.1 foi um dos pouquíssimos esportivos legitimamente brasileiros que entregavam aquele desempenho especial que todos esperam de um carro esportivo.

Ele na verdade foi lançado antes dos anos 80, em 1978, e perdurou até 1986.

Foi feito para uma faixa bem restrita do mercado, e tinha potência no mesmo nível de suas belas curvas.

Em 1976 surgiram os primeiros protótipos

A Companhia Industrial Santa Matilde, fabricante do SM, decidiu criar o modelo em 1976, como uma opção cara e exclusiva para compradores que não podiam mais importar carros de outros países, pois a importação de carros foi proibida naquele ano.

Com influências de modelos da Mazda e da American Motors, o design do Santa Matilde SM 4.1 foi criado por Ana Lídia Pimentel Duarte da Fonseca, filha de Humberto, diretor-presidente da Santa Matilde.

Os piscas dianteiros foram desenhados de forma a ter o mesmo formato do logotipo da empresa. O resultado da dianteira acabou tendo um visual bem mais moderno e diferente que os carros vendidos no Brasil nos anos 70.

Os dois primeiros protótipos começaram a rodar em 1976, percorrendo mais de 100.000 quilômetros em testes.

Em 1978, o SM 4.1 entrou em produção, e por volta dos anos de 1980 e 1981, eram feitos cerca de 30 carros por mês.

Uma inovação do modelo foram os parachoques semi-retráteis, que se retraíam por volta de 2 centímetros em caso de impacto frontal e traseiro, e depois voltavam à posição original.

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Motor grande e bom desempenho

O peso do Santa Matilde SM 4.1 não era menor que do Opala SS, como se imaginaria. Ele ficava acima do peso do cupê da Chevrolet, que tinha 1.200 kg, chegando a 1.350 kg, um mal dos esportivos antigos moldados em fibra de vidro.

Mas como o motor usado era o Chevrolet 250-S, o comprador sabia, antes mesmo de fazer um test-drive, que o desempenho seria excelente.

Este motor 250-S tinha tuchos mecânicos, seis cilindros em linha e 4.093 cm3 de deslocamento, entregando 171 cavalos SAE de potência, e 29 kgfm de torque.

A aceleração de 0-100 km/h acontecia em 12 segundos, um pouco mais lento do que o Landau a álcool, mas ainda assim muito rápido para os padrões da época.

O quarto de milha era coberto em 18 segundos, e o primeiro quilômetro em 34 segundos.

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Câmbio que atrapalhava um pouco

O modelo tinha câmbio com apenas quatro marchas, sendo que a última tinha relação direta de 1,00:1.

Isso foi criticado pelas revistas da época em unanimidade, pois fazia muita falta uma sobremarcha, ou seja, uma quinta marcha, para explorar melhor os limites do SM 4.1.

Essa quinta daria ao esportivo a oportunidade de entregar velocidades maiores nas rodovias, com redução de consumo e também redução de nível de ruído.

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Consumo compatível com a performance

Sabemos que o consumo de um Opala 4.1 não é lá grandes coisas, afinal, “cavalo que anda, cavalo que bebe”.

Mas no caso do Santa Matilde SM 4.1, ele era até mesmo um pouco pior, pelo peso mais elevado.

Em trânsito urbano, as médias ficavam na faixa de 5,5 km/l, chegando a 4 km/l em trechos mais congestionados. Na estrada, 8,5 km/l.

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Conforto interno do SM

O Santa Matilde SM 4.1, como um legítimo esportivo GT 2+2, leva realmente no máximo quatro pessoas.

Só que não estamos falando de quatro adultos, e sim dois adultos na frente e atrás duas crianças de não mais de 10 anos de idade. A altura do assento, de apenas 17 centímetros, deixa isso muito claro.

E mesmo na frente, o espaço não é especialmente adequado. Falta espaço para as pernas, por causa do painel rebaixado (por causa do sistema de ar-condicionado).

E no lado do passageiro, o condensador de ar do sistema de ar-condicionado rouba ainda mais espaço.

Mesmo assim, o lado bom é que o SM 4.1 não passava aquela sensação de claustrofobia existente em outros carros fora-de-série da época.

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Qualidade de acabamento

O padrão de acabamento do SM 4.1 era bom, adequado mesmo para seu preço bem alto.

Ele tinha uma boa moldagem da fibra de vidro e bons materiais usados. Só que existiam problemas aparentes, como por exemplo a manopla de câmbio que girava em falso.

No porta-malas, um acabamento ruim, com estepe solto. E os 431 litros de espaço não eram verdadeiros, pois eram tomados não só pelo estepe mas também pela bateria.

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Uma grande falha de projeto nos cintos de segurança

Os cintos de segurança dianteiros, retráteis de três pontos, tinham uma grande falha de projeto: eram fixados nos próprios bancos.

Neste caso, se acontecesse um acidente e o banco se soltasse de seus pontos de fixação, o passageiro corria um grande risco de se machucar fortemente.

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A origem e o fim da Santa Matilde

A sua fabricante, Companhia Industrial Santa Matilde, foi uma tradicional empresa de equipamentos ferroviários fundada em 1926 por Humberto Pimentel da Fonseca, com sede em Petrópolis/RJ.

Ela parou de produzir equipamentos ferroviários em 1988 e terminou a produção de veículos em 1997, tendo sua falência decretada pela justiça em 2005.

Os cerca de 900 carros feitos pela empresa acabaram sendo uma das grandes causas para sua falência, pois, por ser muito caro criar carros, mesmo que sejam de fibra de vidro, a Santa Matilde teve de adquirir equipamentos e mão de obra especializados para tal.

A empresa deixou de lado seu principal produto (ferroviário), e isso agravou fortemente sua situação financeira.

O preço de um SM 4.1 era equivalente a dois Opalas, tendo preço 20% maior que do Landau, por isso as vendas fracas.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do PG jogos, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 18 anos de experiência como jornalista automotivo no PG jogos, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.

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