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Tentamos descobrir por que o Corolla vende tanto

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Falar sobre o Toyota Corolla sempre envolve tentar descobrir como um carro relativamente tão caro consegue emplacar tantas unidades por mês.

Se você tem mais de 40 anos ou gosta de rever propagandas clássicas, certamente vai se lembrar do comercial que dizia: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”

Essa inteligente jogada de marketing foi tão marcante que até hoje é relacionada a outros produtos, quando alguém tenta entender qual é o fator gerador e qual é a consequência. E isso também pode ser aplicado ao mundo automotivo.

Quando tentamos entender por que alguns modelos vendem mais que outros, nem sempre o preço é o fator determinante. Pense, por exemplo, no modelo dessa avaliação: o Corolla vende muito porque realmente é bom, ou acaba sendo bom porque vende muito?

O modelo cedido pela Toyota, que ficou duas semanas sendo testado pelo PG jogos, foi exatamente a versão que é disparada a campeã de vendas da marca, o intermediário Corolla XEi. Será que ao final desse período conseguimos descobrir o segredo do sucesso de vendas do japonês?

(Também temos uma reportagem com todos os detalhes do Corolla, confira.)

Conhecendo a linha do Corolla

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Alguns modelos chamam a atenção pelo preço baixo, e isso faz suas vendas subirem bastante. Mas, obviamente, esse não é o caso do Corolla. A versão testada pelo NA tem valor sugerido de R$ 105.990, se posicionando no meio de uma linha que chega a absurdos R$ 118.990.

Falando sobre essa linha, ela começa com a versão GLi Couro, que sai por R$ 90.990 e é a única equipada com o motor 1.8 16V Dual VVT-i Flex. Esse motor entrega 139/144 cv e 17,7/18,6 kgfm de torque, e é associado a uma transmissão CVT que simula sete marchas.

Entre os equipamentos de série, a versão GLi Couro vem com ar-condicionado manual, computador de bordo com seis funções (consumo médio e instantâneo, indicador Eco Drive, autonomia, velocidade média, tempo percorrido, controle de iluminação do painel e da temperatura externa), coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, sistema de som com USB, Bluetooth e conexão para iPod e similares, volante multifuncional, vidros e retrovisores elétricos, rodas de 16 polegadas com pneus 205/55 e outros.

No caso das configurações XEi, XRS e Altis, o motor usado é o 2.0 16V Dual VVT-i Flex, que entrega 143/154 cv e 19,4/20,7 kgfm de torque, também com câmbio CVT que simula sete marchas.

Além dos equipamentos citados acima, a versão XEi adiciona ar-condicionado digital; Smart Entry e Push Start (que dispensam o uso da chave para entrar no veículo e ligar o carro), espelho retrovisor interno eletrocrômico, piloto automático, faróis de neblina dianteiros, acendimento automático dos faróis, sistema multimídia com tela LCD sensível ao toque de de 7” (com Bluetooth, DVD player, CD-R/RW, MP3, rádio AM/FM, GPS, TV digital e câmera de ré), quatro alto-falantes e dois tweeters, antena shark fin e rodas de 17 polegadas com pneus 215/50.

Acima dela aparece a versão esportiva XRS, que sai por R$ 111.990 e agrega vários itens estéticos, como acabamento interno na cor preta, aerofólio traseiro com luz de freio em LED, saias esportivas laterais, frontal e traseira, e ponteira do escapamento cromada, além de faróis dianteiros em LED, ajuste de altura do farol e rodas diamantadas aro 17” com acabamento em preto brilhante.

Finalmente, temos a versão Altis e seu salgado preço sugerido de R$ 118.990. Os equipamentos presentes exclusivamente nessa versão são ar-condicionado dual zone, limpador do para-brisa com sensor de chuva, banco do motorista com regulagem elétrica de oito posições, espelhos retrovisores externos com rebatimento elétrico e rodas diamantadas aro 17”, com acabamento na cor cinza.

Vale ressaltar que todas as versões do Corolla contam com sete airbags, controle de tração, controle de estabilidade e assistente de partida em rampa. Modelos concorrentes diretos, como Civic e Cruze também andam muitos caros assim como o Corolla.

Dirigir o Corolla revela seus pontos positivos

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Ao rodar com o Corolla XEi, percebemos seus primeiros pontos positivos. Seu motor 2.0 trabalha bem em conjunto com o câmbio CVT e tem fôlego de sobra, mesmo carregado com cinco passageiros e bagagens.

É claro que existem sedans mais potentes, mas não dá pra reclamar do modelo da Toyota.

Diferente de outros carros com câmbio CVT, que mantém o giro no alto o tempo todo quando o acelerador é pressionado, o Corolla simula a troca de marchas e dá um ar mais esportivo (o que, convenhamos, nunca foi a sua praia).

Com a tecla Sport pressionada, o carro fica mais esperto.

No fim das contas, dirigi-lo é prazeroso. Fizemos várias viagens, algumas com o carro cheio, e o Corolla sempre respondia bem nas retomadas e era seguro nas curvas. Por outro lado, ao testar as borboletas atrás do volante percebemos que elas são dispensáveis.

O Corolla não é um carro esportivo e, independentemente do modo manual, ele vai trocar as marchas sozinho quando a rotação atingir certo limite.

O melhor modo de guiar o Corolla é com tranquilidade, sabendo que você tem motor suficiente quando precisar. O piloto automático contribui para essa suavidade, pois é bem preciso e fácil de manusear, apesar de sua posição incomum em relação a outros modelos (seus comandos estão numa alavanca, do lado direito do volante).

O painel de instrumentos recebeu um novo grafismo na linha 2018, o que tornou sua leitura mais fácil. No meio, aparece uma tela TFT colorida de 4,2 polegadas, que fornece informações de consumo, navegação e áudio.

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Os bancos são confortáveis e tem regulagem de altura para o motorista, mas os ajustes elétricos só aparecem na versão topo de linha Altis. Os apoios de cabeça na dianteira oferecem um bom suporte, e são maiores do que estamos acostumados a ver (eles chegam a bloquear a visão de quem viaja atrás).

Um detalhe negativo é o apoio de braço nas portas dianteiras, que parecem baixos em relação à altura dos bancos (mesmo com os bancos totalmente abaixados).

Esse detalhe foi percebido por todos que dirigiram o Corolla, o que acaba não oferecendo o suporte ideal, como faz o apoio central.

Um sedan espaçoso, mas que não faz milagres

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Nas viagens com o carro lotado também percebemos que o espaço interno do Corolla XEi é bom. Com um entre-eixos de 2,70 m, o espaço para as pernas dos ocupantes traseiros é mais que suficiente. Além disso, o assoalho quase plano torna a viagem para o ocupante central menos sofrida.

O teto conta com um recuo na parte da frente que beneficia os mais altos, mas isso não acontece na parte traseira. Em nossas viagens, quem tinha mais de 1,82 m de altura e sentava atrás já sentia algum desconforto.

Já o porta-malas tem 470 litros e pode ser considerado espaçoso, mas fica atrás de alguns concorrentes que passam dos 500 litros.

Nessas viagens também percebemos um fato curioso: todos os que ficavam no assento do meio reclamavam da falta de apoio, o que os fazia ser jogados de um lado para o outro nas curvas. É claro que esse é um problema em qualquer carro (por isso ninguém gosta de viajar nesse lugar), mas no Corolla parecia ser pior.

Não conseguimos chegar a um consenso sobre o motivo disso.

Alguns disseram que o banco tinha uma textura muito escorregadia, enquanto outros sentiram falta de um túnel central mais alto (acredite se quiser), pois isso supostamente daria um apoio para os pés e ajudaria a se segurar nas curvas.

Lateralmente, o Corolla conta com um espaço parecido com os outros modelos de sua categoria. Ou seja, se três adultos viajarem no banco de trás, eles ficam um pouco apertados. E eles também vão sentir mais calor, pois o Corolla não tem uma saída traseira do ar-condicionado.

A segurança, pelo menos, está no nível esperado: todos contam com cinto de três pontos e apoio de cabeça, além do carro ter Isofix e Top Tether. E quando apenas dois passageiros viajam atrás, eles ainda contam com o apoio central para os braços.

Falando sobre o acabamento do Corolla, notamos que ele está num nível muito bom. São vários pontos macios ao toque, em couro e com detalhes que o tornam mais sofisticado. Pena que a Toyota continue usando o velho conhecido relógio digital no painel (visto também em outros modelos da marca).

Já está na hora de mudar isso, não é?

Os porta-objetos também aparecem por todos os lados, como no apoio central e do lado esquerdo do volante, abaixo dos comandos dos espelhos elétricos. O porta-objetos que fica na frente da alavanca de câmbio também esconde a tomada 12V e as entradas USB e auxiliar.

As portas levam até garrafas maiores, e entre os bancos existem dois porta-copos com um separador removível, que pode ser ajustado em algumas posições.

Esse separador também tem uma posição específica para guardar a chave presencial.

Consumo na estrada é bom, mas na cidade pode assustar

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O Corolla apresenta as medições de consumo no computador de bordo e na central multimídia, onde aparece um histórico diário de consumo.

Essa poderia ser uma função bem interessante, mas o gráfico não é exato, aparecendo apenas barras e um marcado lateral, que vai de 0 a 30 km/l. Por isso preferimos fazer medições próprias, que achamos ser mais exatas.

Em várias viagens feitas com o Corolla, notamos uma média de consumo que pode ser classificada entre razoável e boa. Nos primeiros dias, rodamos com gasolina e fizemos uma viagem com duas pessoas a bordo e ar-condicionado ligado.

O resultado foi um consumo de 13,5 km/l. Vale lembrar que esse consumo é de um percurso misto, com 70% de estrada.

Depois disso, decidimos abastecer o Corolla com etanol e rodamos vários dias na cidade e na estrada. Com esse percurso, obtivemos uma média de exatos 9 km/l.

No fim de semana, ainda com etanol no tanque do Corolla, fizemos uma viagem mais longa com cinco adultos e algumas bagagens. O peso extra acabou influenciando o consumo mais do que imaginávamos, e o número final ficou na casa dos 9,5 km/l.

O problema é percebido quando o percurso é 100% urbano. Nesse caso, os números de consumo que aparecem no computador de bordo podem assustar, como visto na foto acima.

Para evitar isso, é preciso dirigir de maneira ainda mais tranquila, sem nenhuma pisada mais forte.

Itens que sentimos falta

Não dá para negar que o segmento dos sedans é um dos mais competitivos no Brasil. Para sobreviver em meio a tantas opções, muitas marcas tem investido pesado na tecnologia que oferecem nos seus produtos.

Nesse aspecto, parece que o Corolla sempre correu atrás da concorrência, o que lhe rendeu a fama de ser voltado para um público que não liga tanto para isso. A verdade, porém, é outra: quanto mais tecnologia embarcada, melhor, e isso ressalta algumas falhas do Corolla.

O principal exemplo é a central multimídia. Sua tela de sete polegadas chama a atenção no painel do Corolla, mas seu funcionamento é lento e faltam funções que até carros mais baratos já possuem, como Android Auto ou Apple CarPlay.

Mesmo com as funções básicas, como sintonizar uma rádio, a central do Corolla é irritantemente confusa e lenta. Não existem botões físicos, o que também torna aumentar ou abaixar o volume um processo mais lento do que o normal (também não existe uma função para emudecer o som).

Aliás, o volume parecia sempre baixo, o que pode ser um problema específico dessa unidade avaliada.

Outro ponto negativo aparece a noite, pois não é fácil desligar a tela e eliminar aquele brilho intenso. Essa função até existe, mas demora para ser encontrada nas opções do menu.

Para não dizer que só encontramos pontos negativos, o GPS do Corolla funcionou muito bem, sendo bem preciso e com indicações no tempo certo.

Outro item que sentimos falta no Corolla XEi foi o ar-condicionado dual zone, que deveria estar presente num carro de mais de R$ 100.000. Apesar disso, os controles eram bem fáceis de usar e as informações ainda apareciam na tela da central multimídia.

Conclusão

Voltando à questão levantada no início dessa matéria, nossa avaliação nos ajudou a ver alguns dos pontos positivos que tantas pessoas enxergam no Corolla.

A dirigibilidade do sedan da Toyota continua muito boa, tornando o Corolla um carro prático para a cidade e ainda melhor para rodar nas estradas. O espaço interno, apesar de não ser excelente, está dentro do esperado para o segmento (como dito acima, o porta-malas de 470 litros fica atrás de outros sedans).

No quesito segurança o Corolla sempre ofereceu uma boa quantidade de airbags (sete em todos as versões atuais), e ainda agregou no último pacote de novidades os tão aguardados controles de tração e de estabilidade, além de oferecer também o assistente de partida em rampa.

Mas, sinceramente, nada disso está no topo da lista de motivos que colocam o Corolla como líder em seu segmento.

Os argumentos, na verdade, aparecem quando você conversa com quem decidiu comprar o carro (muitas vezes dizendo que já está no terceiro ou quarto modelo consecutivo).

Esses motivos incluem a confiabilidade da marca, algo que é encarado por muitos como subjetivo, já que toda marca tem seus fãs incondicionais. Mas é verdade que a Toyota sempre foi uma marca conservadora, que não inventa na hora de dar ao seu cliente o que ele espera.

Outro argumento, talvez o principal, é o valor de revenda. Veja, por exemplo, o modelo que testamos, o Corolla XEi. Uma unidade 0km sai por R$ 105.990, o que é considerado um valor absurdo pela maioria dos consumidores.

Se você acha isso muito caro e quiser um Corolla XEi usado, com um ano de uso, você ainda terá que desembolsar mais de R$ 92.000, segundo a tabela FIPE. Se isso ainda estiver fora do seu alcance e você quiser um modelo 2016, o preço estará na casa dos R$ 80.000.

Vale lembrar que tudo isso é baseado na tabela FIPE. Uma pesquisa rápida na internet revela que vários anúncios tem valores ainda maiores, especialmente quando os carros estão pouco rodados.

Moral da história: você paga caro, mas vende (relativamente) ainda mais caro.

Já que os carros novos custam tão caro no Brasil, escolher aquele que é mais valorizado acaba sendo um fator muito importante.

No fim das contas, é difícil saber se a bolacha Tostines vende mais porque é fresquinha ou se é fresquinha porque vende mais. Também não é fácil descobrir por que o Corolla vende tanto, se quase todo mundo reclama de seus preços.

Mas parece que vai demorar para outro sedan desbancar o atual líder e tirar o sedan nipônico do primeiro lugar.

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Autor: Viny Furlani

Trabalha no segmento automotivo há mais de 18 anos. Desde 2009 trabalha como jornalista no PG jogos, escrevendo avaliações e notícias sobre carros, totalizando mais de 2.000 artigos.

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